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PGR pede condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe e outros crimes graves

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 15 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura



A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), no último domingo (14), um pedido formal pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete pessoas ligadas ao núcleo político e militar de sua gestão, acusados de atuarem na construção de uma tentativa de golpe de Estado. O documento marca a fase final da ação penal e traz acusações contundentes com base em provas reunidas ao longo das investigações conduzidas no âmbito da operação que apura os atos antidemocráticos.

Crimes apontados

A PGR imputa a Bolsonaro a prática de cinco crimes graves:

  • Organização criminosa armada;

  • Tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;

  • Tentativa de golpe de Estado;

  • Dano qualificado contra patrimônio da União;

  • Deterioração de patrimônio tombado.

Somadas, as penas desses crimes podem chegar a mais de 40 anos de prisão.

Quem mais está na lista

Além do ex-presidente, também são alvos do pedido de condenação:

  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha);

  • Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministros da Defesa);

  • General Augusto Heleno (ex-GSI);

  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça);

  • Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin e hoje deputado federal);

  • Mauro Cid (ex-ajudante de ordens), delator da trama.

O que diz a PGR

De acordo com o procurador-geral Paulo Gonet, os investigados orquestraram uma articulação antidemocrática, utilizando estruturas do próprio Estado para questionar, desacreditar e tentar reverter o resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

A denúncia aponta que Bolsonaro e seus aliados não aceitaram a derrota nas urnas e passaram a alimentar a ideia de fraude eleitoral, incentivando a criação de um ambiente de instabilidade institucional. A partir disso, segundo a acusação, o grupo passou a planejar medidas autoritárias, incluindo a elaboração de uma “minuta de decreto” para intervir no Tribunal Superior Eleitoral e prender ministros do Supremo, além do apoio aos acampamentos golpistas nas portas de quartéis.

Provas e delações

O material enviado ao STF inclui documentos, mensagens interceptadas, imagens de reuniões e trechos da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, que detalha reuniões e decisões que, segundo ele, partiram diretamente de Bolsonaro. A PGR afirma que o envolvimento do ex-presidente foi central para que a tentativa de ruptura democrática ganhasse corpo.

Apesar de reconhecer o valor da colaboração de Mauro Cid, o Ministério Público avalia que ele omitiu informações importantes e, por isso, recomendou uma pena mínima, sem anulação total.

O que acontece agora

Com as alegações finais apresentadas, abre-se agora o prazo de 15 dias para que os réus apresentem suas defesas finais. Mesmo com o recesso do Judiciário, os prazos continuam válidos. Em seguida, a expectativa é de que a Primeira Turma do STF defina a data para o julgamento — o que pode ocorrer ainda no segundo semestre de 2025.

Impacto nacional

O caso tem potencial de gerar grande repercussão política e institucional. Se condenado, Bolsonaro poderá receber uma pena que o afastaria da vida pública por décadas. A decisão também servirá como marco jurídico no combate a atos de ruptura democrática e ao uso indevido das estruturas do Estado para fins pessoais e políticos.

Conclusão

A Procuradoria-Geral da República considera que as provas reunidas ao longo dos últimos meses são suficientes para demonstrar que o ex-presidente e seus aliados mais próximos atuaram de maneira coordenada para desestabilizar o regime democrático brasileiro. O julgamento que se aproxima poderá ser um dos mais emblemáticos da história recente do país, com consequências profundas para o futuro político nacional.

📰 Portal Amigos do ABC – Informação com responsabilidade.

 
 
 

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