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Dois a cada 10 pacientes atendidos na rede municipal de Diadema possuem diagnóstico de hipertensão

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    Redação
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Doença está associada a elevação do colesterol ruim e triglicérides, resistência à insulina, diabetes, sobrepeso e apneia obstrutiva do sono; Prefeitura disponibiliza tratamento medicamentoso, além de grupos de orientação nas UBSs e estímulo a hábitos de vida saudáveis


Em Diadema, dos 334.826 moradores atendidos pela rede municipal de saúde, 59.781 possuem diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença crônica caracterizada por níveis elevados de pressão sanguínea nas artérias. Embora a porcentagem de Diadema (17,8%) seja menor que a nacional (29,7%), a doença é um fator importante para a saúde pública, pois se não tratada pode lesionar vasos sanguíneos e órgãos vitais e, consequentemente, debilitar ainda mais a saúde.


“Esse quantitativo representa uma parcela significativa da população acompanhada pela rede municipal, reforçando a importância das ações contínuas de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento sistemático das pessoas com doenças crônicas. Os dados locais estão em consonância com a tendência nacional de aumento da prevalência da hipertensão, evidenciando a necessidade de fortalecimento das estratégias de cuidado na Atenção Básica”, ressalta o secretário municipal da Saúde, Antônio Carlos Nascimento.


No município, o acompanhamento integral é realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), incluindo consultas médicas e de enfermagem, acompanhamento contínuo, dispensação de medicamentos, realização de exames e ações de promoção e prevenção à saúde. Também são desenvolvidas atividades educativas voltadas à prevenção, com foco em hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do estresse e cessação do tabagismo.


A participação nos grupos de acompanhamento e orientação, pode ser por encaminhamento ou convite da equipe de saúde ou por procura espontânea do usuário na UBS de referência. Os temas trabalhados são controle da pressão arterial; uso correto de medicamentos; alimentação saudável (redução de sal e ultraprocessados); importância da atividade física; prevenção de complicações; autocuidado e adesão ao tratamento.


Ao longo deste mês, quando é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão Arterial (17/05), as Unidades prepararam diversas atividades como grupos, rodas de conversa, palestras sobre mitos e verdades, oficina de cuidado e orientações em sala de espera. Na próxima semana, está prevista a roda de conversa “Fatores de Risco da Hipertensão”, às 10h, na UBS Eldorado.


*Mudança de parâmetro*

Com as novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia para pressão arterial, em 2025, o intervalo de 120 mmHg para a máxima e 80 mmHg para a mínima, ou seja 12 por 8, ainda é considerado normal, porém no limite superior recomendado (12 por 7). Quando ela está além desses limites, o coração precisa de um esforço maior para levar corretamente o sangue a todo o corpo.


“Essa situação já acende uma “luz de alerta”, pois não enxergamos como uma condição isolada. Geralmente está associada à síndrome metabólica, portanto, pacientes que possuem hipertensão, frequentemente apresentam elevação do colesterol ruim (LDL) e triglicérides, aumento da resistência à insulina, diabetes mellitus do tipo 2, sobrepeso e obesidade, e apneia obstrutiva do sono”, explica o médico generalista da UBS Vila Nogueira, Guilherme Zanatta.


“Dentro dos fatores não modificáveis para desenvolver hipertensão podemos incluir os hereditários e o envelhecimento, que por si só é um risco já que os vasos ficam mais rígidos com o tempo. Nos fatores modificáveis, podemos citar ainda o estresse crônico, uma dieta rica em alimentos ultraprocessados e com alto teor de sódio, e o sedentarismo”, acrescenta o médico.


*Tratamento*

Segundo dados do Vigitel Brasil 2006-2024, o tratamento medicamentoso para HAS gira em torno de 80% dos diagnosticados, sendo 76,8% dos homens e 83,5% das mulheres. A falta de controle da hipertensão pode reduzir a expectativa de vida em até 16 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).


“A médio e longo prazos, pode levar ao que chamamos de lesão de órgãos-alvos: no coração pode levar à insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio (IAM), no cérebro ao AVC (Acidente Vascular Cerebral), nos rins à insuficiência renal crônica, e nos olhos, à lesão dos vasos e, consequentemente, diminuição da acuidade visual e até cegueira”, esclarece Zanatta. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), 388 pessoas morrem por dia por hipertensão.


Ao longo das duas últimas décadas, as faixas etárias com maior porcentagem de pessoas hipertensas são de 55 a 64 anos e a partir de 65 anos ou mais, de acordo com informações do Vigitel.


Além do acompanhamento na UBS, “a mudança no estilo de vida, com introdução de musculação, exercícios aeróbicos, ajuste metabólico e, quando necessário, tratamento medicamentoso, sempre individualizando cada caso e usando as melhores combinações, se necessário, são fundamentais para o controle da hipertensão e manutenção da qualidade de vida”, finaliza Zanatta.


Serviço:

Por Renata Nascimento

Foto: Adriana Horvath

 
 
 

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